ÁGUA DE LASTRO

Navio deslastrando no Porto de Paranaguá – PR.

Introdução

Os tanques de lastros nos navios têm por objetivo receber água conforme o volume de carga seja nos porões ou armazenadas em contêineres, a fim de estabilizar os navios durante a navegação. Os navios são lastrados e deslatrados conforme cada plano de carga ao longo dos portos que atracam (cargas e descargas). Nos lastros não têm apenas água, mas também diversas espécies micro e macroscópicas da biota de onde os tanques são lastrados. Ao se adaptarem as espécies biológicas passam a competir com as do local e não tendo o predador natural tornam-se invasoras. Tendo alimentação farta também se reproduzem fartamente causando grandes impactos ambientais, sociais e econômicos nas regiões de bioinvasão. O problema das espécies biológicas invasoras por água de lastro é tão grave que é considerado um entre os três maiores riscos para a vida marinha, a ponto de ter sido criado uma Convenção Internacional para tratar do problema no âmbito da IMO (Organização Marítima Internaciona), a Convenção de Água de Lastro. Para saber mais faça download da Cartilha de Água de Lastro. Download – Cartilha Água de Lastro

Projeto Água de Lastro

MONITORAMENTO DA TROCA OCEÂNICA COMO MEDIDA PREVENTIVA CONTRA ESPÉCIES INVASORAS POR ÁGUA DE LASTRO.

UMA PROPOSTA METODOLÓGICA PARA OS PORTOS EM GERAL: O CASO DO PORTO DE ANTONINA

Navio

Objetivos:

Desenvolver procedimentos para o monitoramento documental (Formulário da NORMAM 20) e banco de dados da troca oceânica nos navios que atracam nos berços de portos e terminais e conscientizar os comandantes de navios sobre a importância da troca oceânica como medida preventiva contra a bioinvasao de espécies exóticas (educação ambiental).

PROJETO PILOTO

TROCA OCEÂNICA PARA PREVENIR A BIOINVASÃO POR ÁGUA DE LASTRO NO PORTO DE ANTONINA – PR

Um dos Problemas: O Limnoperna fortunei (mexilhão dourado) é uma espécie natural da Ásia que foi transportado para a Argentina por água de lastro dos navios e se adaptou em estuários e rios do Uruguai e do Brasil, tornando-se uma espécie invasora. Ao encontrar ambientes favoráveis, este mexilhão permanece e se reproduz intensamente, competindo com espécies nativas, dominando o ambiente e provocando prejuízos econômicos, sociais e ambientais. Ainda não existe método eficaz para a sua eliminação sem causar novos impactos ambientais ou que seja economicamente viável, razão pela qual a melhor alternativa continua sendo a prevenção por meio da troca oceânica das águas de lastro dos navios (Convenção de Água de Lastro-IMO:200 milhas e NORMAN-20: 50 milhas).

A proposta de monitoramento da troca oceânica dos navios é para ser realizada pelos portos. Esta proposta foi implantada na Terminais Portuários da Ponta do Félix S.A. Terminal este que integra o Porto Organizado de Antonina, PR. Este é um terminal importador (fertilizantes) e exportador (cargas gerais), localizado na baía de Antonina que pertence ao Complexo Estuarino de Paranaguá – CEP e está inteiramente dentro da UC APA de Guaraqueçaba. Em função da baixa salinidade desta baía; da presença do porto no município e deste movimentar cargas de navios lastrados na Argentina e no Uruguai, o deslastramento dos navios dentro do Estuário é uma área de risco para a invasão do mexilhão dourado, entre outras espécies.

Os navios de risco para a invasão do mexilhão dourado são aqueles que deslastram na baía de Antonina e navegam em águas costeiras como os navios de cabotagem, ou seja, são aqueles lastrados no Uruguai, RS e Argentina. Entretanto, a recomendação da IMO para a troca oceânica (200 milhas da costa) não inclui os navios de cabotagem, mas a NORMAM N° 20, da Autoridade Marítima do Brasil, completou aquela recomendação recomendando a troca oceânica a 50 milhas da costa para este tipo de navegação.

Contudo, esta NORMAM categorizou os portos brasileiros como de água doce (bacias hidrográficas) e de água marítimas (oceânicos), deixando de fora os portos de águas salobras ou estuarinos, como o caso dos portos do Paraná. Razão pela qual os comandantes de navios não são obrigados a realizarem a troca oceânica se a origem do lastro for em portos de água doce ou de cabotagem para deslastrarem nas águas salobras da baía de Antonina. Significa dizer que os navios de risco para a invasão do mexilhão dourado na baía de Antonina, cuja água de lastro tem sua origem em portos da Argentina, do Uruguai e do RS, não estão contemplados nas exigências seja da NORMAN 20 como da Convenção de Água de Lastro. O mexilhão dourado sobrevive em ambientes com salinidade até 12 partes por milhão e a salinidade nesta baía tem por média 9 partes por milhão, chegando a bem menos em períodos de chuvas.

A ausência de aspectos legais para proteger a baía de Antonina dos deslastramentos de risco criou a necessidade do trabalho de conscientização para os comandantes de navios, a fim de que por si mesmo reconheçam o perigo e realizem procedimentos de prevenção, muito embora a consciência não seja uma categoria objetiva, quer dizer uma categoria que se possa controlar e mensurar como exige o método científico.

Figura 01: Terminais Portuários da Ponta do Félix (TPPF) – Baía de Antonina-PR

Figura 02: Educação Ambiental com os Comandantes de Navios na Ponta do Félix (2005- 2009) por meio de folder em inglês apresentando o CEP, os riscos de bioinvasão e salientando a troca oceânica como medida preventiva..

Figura 03: Monitoramento Documental da Troca Oceânica com comandantes de navios (informações obtidas pelo formulário da NORMAM 20 ou Questionário que são respondidos pelos comandantes)

Figura 04: Monitoramento Químico (salinidade) da Água de Lastro dos Tanques dos Navios para o Diagnóstico da Troca Oceânica (coleta nos tubos de sondagem por funcionário do setor de meio ambiente da empresa).


 

Este trabalho é realizado pelos Terminais Portuários da Ponta do Félix

Para mais informações: http://www.pontadofelix.com.br/


 

Como Apoiar
facebook-2048-black
fb-botao
Blog
Canal ADEMADAN
Canal ADEMADAN